Corra Eric
Minha volta estava marcada para 11h35min. Era uma sexta-feira, dia 23 de julho de 2004. O verão europeu estava próximo, mas já dava para sentir o calor.
Todavia não estava mais eufórico quando pensei em vir para cá. Precisava fumar e foi o que fiz. Adriano já não dava notícias há três dias. A última vez que nos vimos foi dia 20 para informar que estava retornando ao Porto, pois tinha alguns compromissos importantes.
O som ambiente do aeroporto anunciava: “... Passengers of flight number 1071... Gate 173”. Era a última chamada do vôo da companhia Lufthansa. Já estava na sala de embarque com meu ipod ouvindo ‘Colorblind’ e aguardando a comissária verificar o ticket. O Airbus estava programado para fazer conexão em Frankfurt. E depois seguiria seu caminho até São Paulo.
Naquele mesmo dia, depois de uma incrível foda. Adriano iniciou: “Eric... Você me ama?”, “Com certeza”, “Como pode ter certeza?”. Eu disse: “Não sei, mas tenho”. E ele continuou: “Eu poderia ser outro cara”. “Não”, “Como não?”. Eu ali na cama deitado olhando nos olhos deles falei: “Porque você é o melhor”. “Melhor o quê?”. “O melhor cara”, “De todos os caras?”, “Claro”, ele insistia: “Como você sabe?”. Eu: “Sabendo”. “Você acha”, “Tudo bem, eu acho”. Ele se virou e disse: “Viu?”. Eu olhava para o teto de braços cruzados sobre a cabeça: “O quê?”. Adriano: “Você não tem certeza”. Eu: “Você tá pirado?”. E ele ainda prolongava aquele papo pós-sexo: “E se nunca estivesse naquele avião?”, “O que quer dizer?”... Ele: “Estaria dizendo a mesma coisa para outro”. “Então não digo se não quiser ouvir”. “Não quero ouvir nada. Quero saber o que sente”. “Tudo bem, eu sinto que... Você é o melhor”. “Quem é esse sentimento?”. “Sou eu, meu coração”. Adriano era um maníaco. “Seu coração diz: Eric é ele?”. “Isso”. “E você diz: Obrigado, até a próxima?”. “Isso mesmo”. Ele: “Faz tudo o que seu coração manda?”. “Ele não manda nada... Não sei... Ele sente”. Ele: “E o que sente agora?”. “Que faz perguntas idiotas”. Eu tentei beija-lo e ele virou-se: “Você não está me levando a sério, Eric”. “Adriano, o que foi?”. Está querendo... me deixar?”. “Não sei... Acho que tenho que me decidir”. Foram as últimas palavras.
Todavia não estava mais eufórico quando pensei em vir para cá. Precisava fumar e foi o que fiz. Adriano já não dava notícias há três dias. A última vez que nos vimos foi dia 20 para informar que estava retornando ao Porto, pois tinha alguns compromissos importantes.
O som ambiente do aeroporto anunciava: “... Passengers of flight number 1071... Gate 173”. Era a última chamada do vôo da companhia Lufthansa. Já estava na sala de embarque com meu ipod ouvindo ‘Colorblind’ e aguardando a comissária verificar o ticket. O Airbus estava programado para fazer conexão em Frankfurt. E depois seguiria seu caminho até São Paulo.
Naquele mesmo dia, depois de uma incrível foda. Adriano iniciou: “Eric... Você me ama?”, “Com certeza”, “Como pode ter certeza?”. Eu disse: “Não sei, mas tenho”. E ele continuou: “Eu poderia ser outro cara”. “Não”, “Como não?”. Eu ali na cama deitado olhando nos olhos deles falei: “Porque você é o melhor”. “Melhor o quê?”. “O melhor cara”, “De todos os caras?”, “Claro”, ele insistia: “Como você sabe?”. Eu: “Sabendo”. “Você acha”, “Tudo bem, eu acho”. Ele se virou e disse: “Viu?”. Eu olhava para o teto de braços cruzados sobre a cabeça: “O quê?”. Adriano: “Você não tem certeza”. Eu: “Você tá pirado?”. E ele ainda prolongava aquele papo pós-sexo: “E se nunca estivesse naquele avião?”, “O que quer dizer?”... Ele: “Estaria dizendo a mesma coisa para outro”. “Então não digo se não quiser ouvir”. “Não quero ouvir nada. Quero saber o que sente”. “Tudo bem, eu sinto que... Você é o melhor”. “Quem é esse sentimento?”. “Sou eu, meu coração”. Adriano era um maníaco. “Seu coração diz: Eric é ele?”. “Isso”. “E você diz: Obrigado, até a próxima?”. “Isso mesmo”. Ele: “Faz tudo o que seu coração manda?”. “Ele não manda nada... Não sei... Ele sente”. Ele: “E o que sente agora?”. “Que faz perguntas idiotas”. Eu tentei beija-lo e ele virou-se: “Você não está me levando a sério, Eric”. “Adriano, o que foi?”. Está querendo... me deixar?”. “Não sei... Acho que tenho que me decidir”. Foram as últimas palavras.







Corra Eric, Corra. ;p
:O
meu deus!!
:P
Intense.
And efêmera (não tenho a menor idéia de como se escreve em inglês, mas acho que deve ser algo meio cognato).
Duas palavras, ou mais, para descrever sua relação.