Szerelmi történet

Lembro-me do escritor russo Mikhail Bakhtin que disse uma vez num de seus livros que a palavra ‘romance’ era classificava como um fenômeno ‘plurilíngüe’, ou seja, algo heterogêneo que transcende a linguagem propriamente dita. Que é capaz de modificar, não se limitar. Que pode ser diversificada e que fala as mais diversas emoções.
Budapeste estava me fazendo bem, ainda mais agora. Já se passaram duas semanas e estava experimentando algo novo. Novas sensações e uma nova szerelmi történet. Palavra húngara que para muitos de nós, brasileiros, soamos como descrença. Mas pra falar a verdade amor não estava fora de moda.
Adriano tinha como características aos primeiros encontros: humor sarcástico e manias. Ele me disse um dia próximo ao albergue que quase adquiriu transtorno compulsivo. “Quando voltava de algum lugar próximo da minha casa, qualquer que fosse, tinha que contar até 59 porque se não alguma coisa de ruim poderia me acontecer”. Cada palavra que saía de sua boca me deixava mais quente. Tinha certeza que era o efeito Bakhtin.
Era final de tarde e convidei Adriano para visitar uma galeria onde as pinturas de Gustave Courbet estavam sendo exibidas . Localizava-se no Magyar Nemzeti Múzeum. “Sabia que Courbet quebrou a tradição do belo na arte ao tentar aproximar a pintura da realidade?” Ele: “...”. Saquei, não entendia nada. Eu, enfim, só sabia dessas coisas porque passei um bom tempo estudando literatura, filosofia e história da arte na faculdade. Se bem que quando questionei o que ele fazia, veio à surpresa: “Eu acabei de terminar literatura moderna na Universidade do Porto”. “Aí, fiquei sem palavras”. “Sabe o que é Eric, eu odeio a história social do Realismo, do período Naturalista...”. “Ah, agora entendi. Você não é chegado a novas idéias, certo?” “Não, na verdade eu sou um eterno romântico, vivo de idealizações e emoções”.


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4 Response to "Szerelmi történet"

  1. Unknown says:

    Vc na época não me contou esse detalhe seu espertinho. Bjos.

  2. Anderson de Paiva says:

    Perguntei ao meu amigo tcheco se o titulo desse capitulo lhe soava familiar, por ser leste-europeu e conhecer algumas linguas de la. No entanto ele disse que hungaro lhe soava japones, e olha que ele ja esteve la!
    Enfim, Adriano parece interessante, mas o lance de ser classico quando se estuda moderno soa um pouco desconfortavel pra mim... nao sei, acho que estou muito resistente ao classico! hehe

  3. Eric Goldrim: says:

    Anderson,

    O Adriano falou aquilo por impulso... Coisa de casal paixonado, mas o fato de ter estudado literatura moderna não interfere no processo até pq ele estudou todos os movimentos literários do primeiro ao último semestre na faculdade.

    Abçs,

  4. Luiz87 says:

    Shit.
    It's pretty hot now.

    Looks like a love story.