Mágoas

Naquele mesmo dia após um banho demorado, olhei pra carta, notei que ainda sentia algo muito forte pelo Adriano. Ele dizia que precisava de mim que se sentia feliz. Que me desejava... Minha cabeça já estava a mil com todas essas (in)certezas. Observava fixamente o número e me perguntava: “Será que ele realmente está aqui? E aquela mulher?”.
Mais de meia-noite e na maior cara de pau do mundo liguei outra vez. Uma voz masculina atendeu a chamada. (Era ele). “Oi? Alguém na linha?”. Eu apenas respirava. Meu coração batia mais forte. “Alô? Não vai falar não?”. Suspirei e foram aí que novas possibilidades se abriram. “Eric? É você?”. “Por favor, se for, responda...”. Um segundo depois ele estava a chorar. E eu disse: “Sim, sou eu”.
Como já postei anteriormente, Adriano, tinha suas manias e você caro blogueiro já deve percebê-las. Eu ali naquele momento tenso pedi que parasse de chorar. Sentia-me forte, mas ao mesmo tempo fragilizado devido sua atitude nos últimos dias em Budapeste.
“Não chore, eu imploro... Estou aqui e dessa vez espero que pra sempre”. Ele aparentava estado de choque do outro lado. Ele não sabia o que falar. Estava anestesiado com tudo aquilo. Eu que passei por toda situação desagradável fui mais complacente. Ele não, era sensível. Lembrei-me do que falou outra vez na Hungria. (... Sou um eterno romântico, vivo de idealizações e emoções). "Precisamos conversar pessoalmente... Venha amanhã até meu prédio. Não se preocupe te darei meu endereço... Vila Mariana... R. Dr. Pinto Ferraz...”. Desliguei o telefone. Precisava desabafar e a carteira de Carlton naquele instante fora minha confidente.


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3 Response to "Mágoas"

  1. suspiro says:

    ahhh, se esses cigarros falassem!

  2. Luiz87 says:

    uahsuahsuhasuuashuahsa...

    Ri do comentário acima.
    Pensei na mesmíssima coisa!

    (agora eu não vou conseguir tirar seu endereço da cabeça. não me leve a mal. meu instinto investigativo é voraz)

  3. Luiz87 says:

    P.S.: Moro muito perto da sua casa! (post logo após olhada num mapa online)