A despedida
“... A cabeça de Aschencach, recostada no espaldar da cadeira, acompanhara lentamente os movimentos do que já andava longe. Nesse instante, ergueu-se, como para ir ao encontro desse olhar, e logo depois abaixou-se sobre o peito, de modo que os olhos espiavam sob as pálpebras, enquanto a fisionomia apresentava a expressão lassa, ensimesmada, de sono profundo. Parecia-lhe, no entanto, que o pálido e gracioso psicagogo lá fora sorria para ele, que lhe acenava e, desprendendo a mão do quadril, apontava para regiões distantes. Parecia-lhe que ele flutuava à sua frente, rumo ao vazio imenso, prenhe de promessas. E como tantas e tantas vezes fizera, pôs-se a segui-lo. Decorreram alguns minutos, antes que alguém acudisse ao hóspede que acabara de desmaiar, com o corpo prostrado sobre o braço da cadeira. Levaram-no ao quarto. E no mesmo dia ainda, o mundo recebeu, com reverência e comoção, a notícia da sua morte”.
Acendi um cigarro, fechei o livro e fui até a janela. Um final de tarde belíssimo. Fiquei ali parado apreciando aquele pôr do sol. Não fazia frio, o clima estava agradável. O céu estava perfeito. O telefone tocou. Do outro lado da linha Adriano desesperadamente chorava. “Ele morreu... Meu pai”. Fiquei mudo. Respirei fundo e disse: “Sinto muito, Adri. Aguarde-me que chegarei aí o mais rápido possível”. Traguei mais um cigarro e mudei apenas de blusa.
Ao chegar lá, sua mãe aparentava profunda tristeza. Ela sempre falava que não conseguiria resistir caso ele partisse. Adriano chorava bastante. Abracei-o e deixei que meu corpo o esquentasse. Ele soluçava. Beijei sua testa, segurei suas mãos e falei: “Tenho plena consciência que seu pai foi um homem de muita honra. Viveu intensamente cada momento. Nunca lhe tratou com descaso, sempre o amou. Pode ter absoluta certeza que uma hora dessas estará olhando por você e sua mãe. Acho que não gostaria de vê-lo chorando assim. Seria sinal de fraqueza, mas hoje você tem total direito. E, por favor, só queria dizer que realmente sinto muito por sua perda”. Ele olhou nos meus olhos. O rosto muito corado e lágrimas intermináveis escorriam fronte a sua face. Ele disse: “Não me deixe Eric, por favor,”.
Dei meus pêsames a sua querida mãe. A confortei e disse que poderia contar comigo no que fosse preciso.
A família de Adriano era espírita. Seu enterro foi realizado de forma simbólica, com poucos parentes e alguns amigos do teatro. Adriano me abraçava cada vez mais forte e chorava como uma criança. Passei minha mão sobre seus cabelos e fiquei ali reparando aquela cerimônia. A morte significava apenas o começo. A gente sempre tem medo da morte, mas um dia sua vez chega. É a vida, tudo se transforma e nada muda, todavia prometi Adriano que jamais o deixaria.
Acendi um cigarro, fechei o livro e fui até a janela. Um final de tarde belíssimo. Fiquei ali parado apreciando aquele pôr do sol. Não fazia frio, o clima estava agradável. O céu estava perfeito. O telefone tocou. Do outro lado da linha Adriano desesperadamente chorava. “Ele morreu... Meu pai”. Fiquei mudo. Respirei fundo e disse: “Sinto muito, Adri. Aguarde-me que chegarei aí o mais rápido possível”. Traguei mais um cigarro e mudei apenas de blusa.
Ao chegar lá, sua mãe aparentava profunda tristeza. Ela sempre falava que não conseguiria resistir caso ele partisse. Adriano chorava bastante. Abracei-o e deixei que meu corpo o esquentasse. Ele soluçava. Beijei sua testa, segurei suas mãos e falei: “Tenho plena consciência que seu pai foi um homem de muita honra. Viveu intensamente cada momento. Nunca lhe tratou com descaso, sempre o amou. Pode ter absoluta certeza que uma hora dessas estará olhando por você e sua mãe. Acho que não gostaria de vê-lo chorando assim. Seria sinal de fraqueza, mas hoje você tem total direito. E, por favor, só queria dizer que realmente sinto muito por sua perda”. Ele olhou nos meus olhos. O rosto muito corado e lágrimas intermináveis escorriam fronte a sua face. Ele disse: “Não me deixe Eric, por favor,”.
Dei meus pêsames a sua querida mãe. A confortei e disse que poderia contar comigo no que fosse preciso.
A família de Adriano era espírita. Seu enterro foi realizado de forma simbólica, com poucos parentes e alguns amigos do teatro. Adriano me abraçava cada vez mais forte e chorava como uma criança. Passei minha mão sobre seus cabelos e fiquei ali reparando aquela cerimônia. A morte significava apenas o começo. A gente sempre tem medo da morte, mas um dia sua vez chega. É a vida, tudo se transforma e nada muda, todavia prometi Adriano que jamais o deixaria.






