O psiquiatra

O telefone toca. Vejo o número no identificador e fico paralisado. Não atendo. A chamada acaba sendo direcionada para caixa de mensagem. “Eric sou ‘Eu’. Preciso te ver. Estarei no Bistrô promovendo o lançamento do meu livro. Tentei ligar para seu celular, mas dá fora de área ou número não existe. Tenho impressão que você mudou de número. Sei que não vai acreditar, mas quero e tenho que falar com você. Mesmo que seja por 30 segundos. Estou pensando em você algumas semanas. Qualquer coisa me liga. Tenho certeza que não esqueceu meu número”.
Ainda imóvel fitei o telefone. Realmente não acreditei. Respirei fundo e fui até a cozinha. Preparei um café e retornei à sala. Repeti a gravação. “Eric sou ‘Eu’. Preciso te ver. Estarei no Bistrô promovendo o lançamento do meu livro. Tentei ligar para seu celular, mas dá fora de área ou número não existe. Tenho impressão que você mudou de número. Sei que não vai acreditar, mas quero e tenho que falar com você. Mesmo que seja por 30 segundos. Estou pensando em você algumas semanas. Qualquer coisa me liga. Tenho certeza que não esqueceu meu número”. Depois de um gole quente de café fiquei pensando (Eu não mereço isso). Apaguei a mensagem e fui embora. Hoje o dia no trabalho não seria fácil. E pelo visto o dia começou ótimo.
Reunião de pauta, apresentação de dados, sobe e desce de elevador e mais trabalho. Fim de expediente na agência. Aproveitei e peguei uma carona com Melissa, a mais nova diretora de redação da empresa. Como sabia que ela morava próximo ao consultório do Dr. Silêncio não deixei escapar essa oportunidade. Apesar de o metrô ser o meio mais rápido de se chegar ao local, Melissa seria uma boa companhia.
Na sala de espera do Dr. Silêncio fiquei lembrando da mensagem hoje pela manhã (Eric sou ‘Eu’. Preciso te ver... Tentei ligar para seu celular... Estou pensando em você algumas semanas...). Após deitar no divã começou a sessão silêncio. O psiquiatra Zappamiglio me olhou com aquela cara de sempre. E eu dei uma de Dr. Zappamiglio, não abri minha boca durante os 45 minutos mais suados do meu salário.
No caminho para casa, parei num bar e como de costume perguntei se tinha cigarro. Após a primeira tragada, me senti mais leve e esqueci que almas existem. Poderia estar errado, mas Dr. Silêncio faz milagres.


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3 Response to "O psiquiatra"

  1. jacques says:

    preciso do telefone do dr. silêncio.

  2. suspiro says:

    é, esse doutor ai deve ser dos bons mesmo viu. e muita pretensao: tenho certeza que nao esqueceu meu numero. rá! marmininu.

    se garanta, eric. e me dá um desses cigarros que provocam a 'insustentavel leveza do ser' hehe.

    beijo

  3. Luiz87 says:

    Uhmm...
    Por que vai ao psiquiatra?
    Quais são seus grandes problemas?
    Você passou a ser a minha esfinge favorita: "Decifra-me ou devoro-te".

    Indireta?

    Maybe...