O outro dia

Adriano ainda permanecia sonolento na cama. Eu acabei que acordando um pouco mais cedo. Fui até a cozinha e preparei um café da manhã reforçado, pois havia perdido todas as minhas energias.
Ele era lindo dormindo. Não roncava, mas tinha defeitos. Babava. Eu nem podia negar, também tinha minhas imperfeições... Uma delas era falar enquanto dormia. Desde pequeno minha mãe já dizia: “Filho, você disse cada coisa ontem à noite enquanto dormia que até me assustei”. E era pra deixar a coroa de cabelo em pé mesmo.
O relógio no meu pulso marcava 5h47min. Ainda estava meio escuro. E o silêncio ainda era sagrado. Mais uma hora e todo barulho do mundo aos meus ouvidos. Fiz um suco de laranja, aproveitei o leite do dia anterior e coloquei junto ao cereal. Pequei as últimas fatias de presunto e queijo, adicionei no pão e levei ao forno.
Fui até ao quarto e ele ainda estava dormindo. Aproveitei e tomei um banho. A rádio ainda continuava sintonizada na freqüência dos clássicos. O som que anunciava era ‘The miracle of love’ do grupo Eurythmics.
Eu não tinha um pingo de romantismo. Simplesmente o puxei da cama e levei até a cozinha. Até porque meu quarto não era lugar de comida, mesmo que fosse o café da manhã mais romântico do mundo. E definitivamente não seria naquele dia. Ele ainda com aquela cara toda amassada olhou pra mim e disse apenas uma palavra: “Desculpa”. Eu não era ninguém pra julgar o que era certo ou errado, mas precisava ouvir aquilo da boca dele e não de um simples pedaço de papel.
Ali mesmo naquele ambiente após o café, transamos feitos animais. E o barulho que fazíamos era mais um dentre a multidão. A cidade inspirava movimento e a gente ali naquela cozinha transpirava sexo.


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1 Response to "O outro dia"

  1. Luiz87 says:

    amo.
    amo.
    amo eurythmics.

    "Here comes the rain again... Falling on my head like a tragedy..."