A família

Adriano era filho único. Seus pais sabiam da sua orientação sexual desde os 16 anos quando sua mãe limpara seu quarto e sem querer achara uma revista de homens pelados. Como toda mãe ficara sem reação. Era a descoberta. E naquela mesma noite ela tivera uma conversa a sós com ele. A princípio ela estava preocupada. Não sabia como tocar no assunto. Já ele falou abertamente. Não tinha grilos. Era desencanado.
Ali mesmo ela entendera que à felicidade do filho já estava traçado, porém tinha receio do mundo. Porque lá fora para toda mãe como todo gay existiam dois tipos de preconceituosos. O que falavam na sua cara e os que falam por suas costas.
O pai não se chocou com a notícia. Ele era um homem totalmente liberal, viveu a era hippie intensamente e entendia as diferenças perfeitamente bem. Ele sentia orgulho do filho quando decidiu abrir o jogo na sua frente em plena janta.
Adriano sempre contou com os pais. Sabia que o filho não tinha problemas emocionais e muito menos envolvimento com drogas ou bebidas. Apenas gostava de pau.
Sr. Mariano Ferraz era um produtor teatral conhecido entre a cena independente de São Paulo. Aclamado pela crítica, passava por um momento difícil. Descobrira que tinha câncer de próstata. Todavia tratava-se com quimio algumas semanas. Sua esposa Dona Fátima estava um pouco assustada, pois o filho morava fora e não tinha com quem contar. Ela era professora universitária aposentada. Ganhava o suficiente para equilibrar o orçamento familiar, mas não conseguiria viver sem seu marido.
Adriano preocupara-se com a saúde do pai e como já pensava em retornar ao país, viu que uma nova oportunidade o aguardava depois que me conheceu. Um novo amor e um novo companheiro nos momentos de alegria e tristeza, saúde e doença.



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1 Response to "A família"

  1. Luiz87 says:

    Você realmente escreve bem.

    [Por que não fez Letras? Parece apreciar tanto a Literatura e a Arte.]