Por que é difícil crescer?
Domingo é considerando um dia desagradável. Um dia atípico. Quanto você menos esperava já era hora de dormir e acordar direto pro trabalho. A televisão nem se falava. Só inutilidade pública. Seria um bom dia para ler, mas estava sem saco.
Liguei meu computador e baixei algumas músicas direto para meu ipod. Nada no e-mail, muito menos ninguém no Talk. Vi algumas notícias nos jornais eletrônicos e chequei agenda cultural da cidade. Um boa peça de teatro seria uma ótima saída neste começo de noite.
O caderno de entretenimento indicava um espetáculo de José Vicente, O Assalto, que retratava uma estranha relação entre um bancário e um faxineiro. A crítica até afirmava que durante o final dos anos 60, quando o Brasil vivia em plena ditadura, a peça causou um grande escândalo por ter exposto um relacionamento entre dois homens.
Sob direção de Marcelo Drummond com Haroldo Costa Ferrari e Fransérgio Araújo atuando nos respectivos papeis. O artigo do jornal ainda indicava que o texto foi alterado e as cenas de sexo estavam acentuadas. Afinal, já não vivíamos na década de 60.
Chamei Adriano e Valentina. Os dois compareceram ao teatro Oficina na Bela Vista pontualmente. Após pagarmos pelos ingressos, entramos e assistimos ao espetáculo. Depois fomos a uma pizzaria. Valentina ligou antes solicitando que seu namorado fosse até o local.
Enquanto devorávamos cada pedaço de massa, comentávamos as cenas da peça. Augusto, namorado de Valentina era disléxico. Demorava um pouco para entender as coisas. Tudo era um processo. Mas esse era seu charme e Tina o amava não importando se tinha defeitos. Ele era divertido, mas às vezes se comportava como um imbecil. Era um garotão de quase 30 anos.
Um cara de bermudão e regata tipo surfista, falava gírias, morava com os pais e nunca trabalhou na vida. Ou era um adulto irresponsável ou tinha dificuldades de aceitar a idade? Valentina gostava dele assim mesmo.
Entendo que virar adulto dói principalmente em outras culturas onde existem rituais de passagem como tribos indígenas aqui no Brasil. E Xhosas e iorubas no continente africano. São tradições onde ocorrem sacrifícios como perfurações, circuncisões... Porém chegar aos 30 se comportando como adolescente de 14 anos isso já era falta de maturidade.
Fim de noite, Adriano foi direto para casa de seus pais. Sr. Mariano tinha piorado de saúde e queria ficar por perto. Eu fui pro ap. Deitei na cama e fiquei pensando nas atitudes de Augusto. Quando você chega a um certo ponto é difícil você aceitar sua própria idade. No próximo mês completaria 22 e a vontade que tinha era de diminuir um ano se fosse possível. Sentir-me-ia até biologicamente falando mais feliz. Quando tive aulas de ciências na 4ª série à professora dizia: “A gente nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre... E a ordem natural da vida”. Sinto muito, mas ela se enganara ao dizer uns dos verbos. Ainda bem que nossa sociedade possui seres evoluídos que nascem, crescem, transam, envelhecem e depois decidem o que querem fazer da vida.
Liguei meu computador e baixei algumas músicas direto para meu ipod. Nada no e-mail, muito menos ninguém no Talk. Vi algumas notícias nos jornais eletrônicos e chequei agenda cultural da cidade. Um boa peça de teatro seria uma ótima saída neste começo de noite.
O caderno de entretenimento indicava um espetáculo de José Vicente, O Assalto, que retratava uma estranha relação entre um bancário e um faxineiro. A crítica até afirmava que durante o final dos anos 60, quando o Brasil vivia em plena ditadura, a peça causou um grande escândalo por ter exposto um relacionamento entre dois homens.
Sob direção de Marcelo Drummond com Haroldo Costa Ferrari e Fransérgio Araújo atuando nos respectivos papeis. O artigo do jornal ainda indicava que o texto foi alterado e as cenas de sexo estavam acentuadas. Afinal, já não vivíamos na década de 60.
Chamei Adriano e Valentina. Os dois compareceram ao teatro Oficina na Bela Vista pontualmente. Após pagarmos pelos ingressos, entramos e assistimos ao espetáculo. Depois fomos a uma pizzaria. Valentina ligou antes solicitando que seu namorado fosse até o local.
Enquanto devorávamos cada pedaço de massa, comentávamos as cenas da peça. Augusto, namorado de Valentina era disléxico. Demorava um pouco para entender as coisas. Tudo era um processo. Mas esse era seu charme e Tina o amava não importando se tinha defeitos. Ele era divertido, mas às vezes se comportava como um imbecil. Era um garotão de quase 30 anos.
Um cara de bermudão e regata tipo surfista, falava gírias, morava com os pais e nunca trabalhou na vida. Ou era um adulto irresponsável ou tinha dificuldades de aceitar a idade? Valentina gostava dele assim mesmo.
Entendo que virar adulto dói principalmente em outras culturas onde existem rituais de passagem como tribos indígenas aqui no Brasil. E Xhosas e iorubas no continente africano. São tradições onde ocorrem sacrifícios como perfurações, circuncisões... Porém chegar aos 30 se comportando como adolescente de 14 anos isso já era falta de maturidade.
Fim de noite, Adriano foi direto para casa de seus pais. Sr. Mariano tinha piorado de saúde e queria ficar por perto. Eu fui pro ap. Deitei na cama e fiquei pensando nas atitudes de Augusto. Quando você chega a um certo ponto é difícil você aceitar sua própria idade. No próximo mês completaria 22 e a vontade que tinha era de diminuir um ano se fosse possível. Sentir-me-ia até biologicamente falando mais feliz. Quando tive aulas de ciências na 4ª série à professora dizia: “A gente nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre... E a ordem natural da vida”. Sinto muito, mas ela se enganara ao dizer uns dos verbos. Ainda bem que nossa sociedade possui seres evoluídos que nascem, crescem, transam, envelhecem e depois decidem o que querem fazer da vida.






